2 comments | quinta-feira, junho 29, 2006

Ora bolas!

Ando a dormir...

Então não é que me esqueci de dizer que estamos na semana do portal netemprego e dos 26 mil portáteis para as escolas portuguesas? Será que tenho o direito de ter um blogue?...

0 comments | quarta-feira, junho 28, 2006

Na semana em que Sócrates anunciou a cobertura total do país em banda larga a uma plateia de alentejanos tradicionais, sem que nisto possa ler-se algo de pejorativo, apenas a circunstância de, muito provavelmente, estarem pouco interessados na largura da dita, nessa semana, dizia eu, a mesma semana em que dez milhões de portugueses, cães e gatos incluídos, passaram a ter uma caixa de correio electrónica nos CTT sei lá para que habilidades... onde é que eu ia? Ah!... Esta semana estou avesso ao choque tecnológico, pois não me está a apetecer blogar.

3 comments | domingo, junho 25, 2006

Lá por eu querer que o tal de Felipão volte para a Lagoa dos Patos, embrulhado nas vestes da Senhora do Caravaggio e nas notas que por cá vai amealhando, a verdade é que aqueles gajos representam Portugal. Aos olhos de todo o mundo, foi Portugal que se qualificou para os quartos-de-final daquela coisa alemã. Também aos meus olhos. Também eu vi aquela batalha campal, também eu sofri - eu e o JP, acompanhados por queijo, presunto e maduro tinto - até que esse russo de má semente baixou a cortina sobre a tragicomédia que encenou. E fiquei contente. Não quero discutir até que ponto foi, ou não, justo. Os rapazes aguentaram tudo e também tiveram sorte. Mas os jogadores holandeses, que foram velhacos em muitas ocasiões, mereceram todo o azar que lhes calhou. Agora vêm os ingleses, e só me apraz dizer que seria bonito ver a equipa nacional aviar, em duas penadas, os dois povos europeus que mais nos afundaram no marasmo de onde nunca sairemos. Só um outro povo contribuiu mais para isso, este a que pertencemos: circunstância que também é tida em conta pela selecção, pois tanto sofrimento é pura penitência, ao gosto dos que inventaram o milagre de Fátima.

2 comments | quinta-feira, junho 22, 2006


Queria blogar-te, longe destes tempo e espaço que nos juntam e repelem. Perto da dimensão em que o sonho se anima e mexe. E dança. Queria ter-te neste punhado de linhas, ver-te em cada sílaba onde me visses. Queria sorrir em cada letra, fazer-te decifrar-me nas palavras com que te leio. Aquelas que não escrevo porque doem, as mesmas em que sobrevivo. As palavras desnecessárias, porque todas as palavras. Melodia inaudita. Inaudível, menos para nós, que a cantamos no silêncio cúmplice do olhar. Nós, bailando nessa outra dimensão de fantasia. Queria escrever algo, apenas balbucio. Neste mundo de carne e osso, é hora de jantar, e não é de bom tom cantar à mesa.

6 comments | domingo, junho 18, 2006

Alguns apontamentos fotográficos da Avenida dos Aliados, dando conta de que os génios também esquecem.

a) Esqueceram-se do mobiliário urbano e foram ao hipermercado comprar cadeiras de esplanada

Foto de POS

b) Esqueceram-se de algumas árvores, postas em vasos até que abram novos buracos no piso já inaugurado

Foto de POS

c) Esqueceram-se de dotar o amplo espaço de contentores para o lixo

Foto de POS

Foto de POS

Foto de POS

d) Esqueceram-se dos patinhos de borracha para a banheira

Foto de POS

1 comments | sexta-feira, junho 16, 2006

Foto de POS
Avenida dos Aliados, Porto

Por vezes, sinto que brincam connosco. Destroça-me, depois, saber que se levam muito a sério.

5 comments | segunda-feira, junho 12, 2006

Algures pelos idos de setenta, creio que já depois de os cravos terem espingardado, havia, no Leixões, um jogador chamado Fernando. Esta recordação poderá parecer bizarra, estranho que sou ao clube de Matosinhos e estranho que me ele é, mas tem explicação. Esse Fernando era o rei dos repetidos, em cromos que comprávamos/surripiávamos, envolvendo manhosos rebuçados que íamos buscar a uma manhosa mercearia, algures em Paranhos. Talvez exagere, mas, em cada dez guloseimas que iam para o lixo - tão enjoativas se haviam tornado -, quatro ou cinco traziam o boneco mal impresso desse Fernando.

Suponho que já não há rebuçados com cromos. Lembrei-me disto porque, nos últimos tempos, tem alastrado uma epidemia, envolvendo miúdos e jovens daquele tempo, que compram, trocam, cobiçam figuras autocolantes dos jogadores que estão no Mundial da Alemanha. Fazem listas, há fóruns na Net onde negoceiam as trocas, saem dos quiosques carregados de carteirinhas, debatem o assunto na blogosfera. O Fernando e os outros eram trocados na rua ou no recreio da escola, os mais difíceis, carimbados ou não, tinham cotações implícitas e todos podiam ser conquistados ao parceiro, nesse acto de grande tensão e perícia que era jogar o “virinha”.

Hoje, há colegas meus que não sabem o que era o “virinha”. E já dei comigo a sacar de cartões de visita para explicar.

Essa febre que por aí anda poderia justificar dissertações sobre a natureza dos homens e o que os distingue das mulheres, talvez essa circunstância de a palavra “maturidade” ser um substantivo feminino. Mas só me ocorre dizer que o Fernando e coevos não eram autocolantes, normalizados. Não eram bem impressos nem negociáveis na Internet que não existia.

Os negócios eram acalorados, impulsivos, de cara à vista. Mas mais inocentes, limpos, frontais. Hoje, a vida é negociada como os cromos. À socapa. Sem olhos nos olhos, pondo listas dos que faltam num fórum, lançando engodos, ignorando os que não interessam e montando o cerco aos que interessam.

A perversidade humana é endémica, não nasceu agora. Mas vive em acelerado aperfeiçoamento. Compram-se fidelidades, inspiram-se medos, inventam-se solidariedades falsas e amizades perecíveis. As pessoas comunicam por números, como os que colocam nesses fóruns sobre cromos, e cada vez menos por afectos, como os que resultavam em bulhas sem ressentimento quando o “virinha” corria mal.

Há quem apenas admita o outro, nestes dias, como uma metamorfose do eu, ou seja, vivendo hoje a conquista dos degraus de satisfação pessoal que, ao fim e ao cabo, levam ao isolamento de amanhã. Porque o verdadeiro outro é morto ou como morto vale. Pensando curto, esquece-se que o sucesso individual não faz sentido sem o respeito do colectivo.

Pensando curto, trilha-se o caminho fácil, feito de cromos autocolantes. Não se joga ao “virinha”, não se partilha em glória a vitória de conquistar o cromo carimbado. Completar a caderneta é um triunfo solitário, não é uma festa. E as conquistas subterrâneas, isentas de alegria em comum, pouco valem. Compra-se a caderneta completa e guarda-se na gaveta das preciosidades, mas a verdade é que não se fez a colecção.

0 comments | quinta-feira, junho 08, 2006


Depois deste post, a Fonte das Virtudes cumprirá uma paralisação de dois dias. Coisa normal, admito, dada a irregularidade que a caracteriza, mas, desta feita, formalmente anunciada. Parado, o blogue continua activo, debitando a canção "Os Eunucos (no Reino da Etiópia)", de José Afonso. Parado, o blogue respira serenamente, porque cumpre princípios de Justiça, de Coerência e de Honradez. Assim parando, poderá, depois, continuar a mover-se em Liberdade.


2 comments | terça-feira, junho 06, 2006

Esta nota é para ficar aqui como um lembrete, para que volte ao assunto, em tendo disposição. Hoje percorri, a pé, a Avenida dos Aliados de Siza, Souto de Moura e Rio. Se a parte Rio me causa natural apreensão, pois é sempre de esperar o pior, admito que nunca me quis envolver na contestação ao projecto dos dois arquitectos, pelos motivos que aqui fui expondo, mas, também, porque acreditava que os arquitectos poderiam surpreender-me. Hoje, estou convencido de que estive errado. Aquilo é o deserto. Não há bancos (dos de sentar, que os outros lá permanecem), as pombas concentram-se, em massa, na Praça da Liberdade, onde há árvores mais frondosas (excepto as que são abatidas pelas gaivotas), não há incentivos a estar, apelos à fruição do espaço por cidadãos de todas as idades (não está tudo pronto, suponho, mas parece-me que aquilo não terá muito mais por onde andar). O charco, ao cimo da avenida, é patético. Repito: o charco. Salvam-se os candeeiros de iluminação pública. Mas tanto estardalhaço para que apenas se aproveitem os lampiões é muito pouco.

1 comments | domingo, junho 04, 2006










Uma espingarda ...












...duas espingardas...














... três espingardas...

4 comments | sábado, junho 03, 2006

Post retirado do Viagem pelas ruas da amargura, simplesmente porque já lá está tudo e, assim, é mais fácil (mantenho os "bolds" postos pelo Paulo).

«Último parágrafo da crónica de Miguel Sousa Tavares no “Expresso” de hoje
(aqui reproduzido por não ser assinante):

«“Ao contrário da maioria das opiniões, não penso que os actuais males de
que padece a nossa informação tenham que ver com maus jornalistas. Essa
parece-me uma acusação demasiado fácil para ser deixada no ar,
sem sequer se tentar perceber as razões que impedem o bom jornalismo. E estas, a
meu ver, são, essencialmente, duas: as dificuldades crescentes no acesso
à informação
e a debilidade económica das redacções
para fazerem, já não digo um jornalismo de investigação, mas ao menos um jornalismo de rigor. Estamos a cada vez mais reduzidos a um
“jornalismo sentado”, à espera do toque do telefone ou da denúncia de fontes não
identificáveis. E feita por uma nova geração de jornalistas miseravelmente paga, mal ensinada e mal treinada, sem condições
sérias de trabalho e sem nenhuma motivação para cumprirem o sonho, a vocação e o
sentido de missão que os levou a quererem ser jornalistas. É uma profissão
nobre, que o ar dos tempos vai aos poucos reduzindo a um estatuto de
desilusão e impotência
. Mas disso, quem quer saber?”»

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Aturado esforço de investigação do meu companheiro de JN Cristiano Pereira, há anos emigrado em Lisboa, resultou na publicação de um excelente trabalho de duas páginas, na edição de 2 de Abril último, unidas pelo garrafal título "Um segredo chamado Artur Gonçalves". Num dos textos, o Cristiano, um dos tipos mais brilhantes que já vi nesta coisa dos jornais, coloca a questão fulcral: "Que espécie de país é este que esquece e despreza artistas deste calibre?".

As canções satíricas de Artur Gonçalves, amálgama bem temperada de marialva e trovador intervencionista, estão disponíveis na Internet, designadamente num blogue que o Cristiano criou apenas com objectivos de divulgação. Não tenho possibilidade de pôr as cantigas aqui a tocar, mas recomendo vivamente a visita, chamando a atenção para as inefáveis capas dos discos e para as letras. Sugiro que ouçam o tema "Vamos dar caça à Pide", de 1974 (a música é o conhecido fado "Dar de beber à dor"), cujas palavras transcrevi há pouco e aqui reproduzo.


Vamos dar caça à Pide

Fez no sábado quinze dias que passei
P'la Rua António Maria Cardoso,
Ai, mas está tudo tão mudado,
Que não vi em nenhum lado,
Aqueles pides de aspecto tenebroso!
Desde a porta até ao tecto
O prédio tem outro aspecto,
Já não podem lá fazer mais falcatrua.
Na parede, rente ao chão, escrito a carvão,
"Os pides morrem na rua".

Entrei onde era o escritório do Silva Pais,
Mas não estava à secretária, já se vê,
Nem molduras de madeira
Do Tomás e do Moreira
Nem daquele que falava na tv.
Tudo mudou de figura
E na sala da tortura
Onde tanta boa gente andou de gatas
Quando, em noites muito beras, essas feras
Enfardavam democratas.

As janelas das traseiras, tão garridas,
Com cortinados de ferro aos códradinhos,
Ai perderam todo o interesse
Porque agora os dê-gê-ésses
Estão de saco em Caxias, coitadinhos.
Não se vêem cassetetes,
Nem mocas, nem canivetes
Enfeitando os salões desse alicerce.
Chegou a esta penúria toda a fúria,
A sede da DGS.

O que vão fazer do prédio, não importa,
Mas decerto que o irão pintar de novo.
Esse ex-coito de suínos
Que foi viveiro de assassinos
E se alimentavam c'o sangue do povo.
Das torturas padecidas
E das costelas partidas
Que eu não consigo esquecer... entre um copinho.
Pois vamos todos dar caça a essa raça,
Já dizia o Zé Povinho!

Pois vamos todos dar caça a essa raça,
Já dizia o Zé Povinho!

6 comments | quinta-feira, junho 01, 2006



Um artista singular, com partenaires no plural.

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Avançam e recuam, por estratégia e com critério, para que neles recaia o prazer futuro.

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Foto de POS

Pode o Dia da Criança ser um sintoma de envelhecimento? Quando eu era pequenino, a grande alegria deste dia era andarmos de borla nos transportes públicos. Entrar num autocarro ou num eléctrico, sem destino além da folia, era a rotina que cumpríamos alegremente. Quando um autocarro passava, levava com ele a festa de criançada a rir ao Verão que vinha ao virar da esquina. Hoje, finalmente, andamos como as toupeiras e os festejos da pequenada são controlados. Nestes dias, é impensável, porque estupidamente perigoso, que uma criança, sozinha ou em grupo, ande nos transportes sem trajecto estabelecido. Assim assistimos ao tempo que passa, respescando lascas de um outro mundo que foi.