0 comments | segunda-feira, agosto 16, 2004

Se um momento perdura em nós continuará a ser um momento? Ou incorpora-se no que somos? E quando se sucedem esses momentos, que se integram sem resistência na química que gere as emoções? Tornamo-nos diferentes? Parece natural que assim seja, que cresçamos – ou mudemos – à medida que a amálgama do nosso património emocional é enriquecida com o barro dos afectos e desafectos, dos amores e desamores. A verdadeira sabedoria, imagino, está em desenvolver uma outra capacidade, a de assimilar esse barro apenas depois de fazermos uma cópia de segurança, a vívida memória para nos mostrar que algo é especial e merecedor de em nós ficar diluído, tornando-nos estruturalmente mais ricos. É nessas cópias de segurança, invioláveis, que habita a beleza.